Corporações

O mundo corporativo sempre me encantou.

Aqueles edifícios maravilhosos, equipes trabalhando de forma colaborativa, as marcas… Ahh as marcas.

Sempre me fascinaram as grandes marcas. Chevrolet, Sony, Apple, Esso, Intel, Xerox entre outras.

Ser dessas empresas, trabalhar nelas ou trabalhar para elas era o meu nirvana. Mas uma delas em particular foi meu maior ícone.

A IBM.

Talvez porque quando morei na Vila Mariana por 23 anos, e por meu pai sempre pegar a 23 de Maio para nos levar para passear eu sempre reparava no prédio imponente na rua Tutóia, no bairro do Paraíso, com aquele letreiro enorme IBM.

Era o obelisco do Ibirapuera e o prédio da IBM. Os 2 pontos centrais daquele trecho da nossa trajetória.

Lembro também (eu deveria ter uns 12 anos), quando minha irmã trouxe para casa o material de treinamento que recebera da sua empresa. Eram fitas K7 e apostilas sobre vendas, com o método da IBM. Devorei tudo. Colocava o gravador toca-fitas ao lado do travesseiro e dormia embalado naqueles ensinamentos… metas e cotas de vendas, cobertura de regiões, preparação do vendedor, como se vestir o que falar quando visitar os prospects, como falar do produto… como calcular despesas comerciais… enfim era um novo mundo para mim. E era o mundo da IBM.

Alguns anos mais tarde li o livro “Pai, Filho e Cia, a História da IBM” escrito pelo filho do fundador da IBM, Thomas J. Watson Jr. e entendi as entranhas de um ícone corporativo. Também muito marcante.

Quando comecei a trabalhar percebi devagar devagar que o mundo corporativo era muito mais complexo que meu ideal da IBM.

Pessoas mudam de cargos, mudam de empresas, empresas mudam de estratégia, empresas nascem, outras fecham as portas, mercados mudam suas preferências, produtos são lançados e outros enterrados. Tudo isso acontece em ciclos muito mais rápidos do que antigamente.

Enfim, o mundo corporativo movimenta-se infinitamente mais rápido hoje.

Nessa velocidade, não há que se esperar muita competência. É impossível cobrar dos profissionais de hoje a mesma competência dos de antigamente.

Como você vai ganhar competência em algo que em questões de meses pode virar obsoleto? Sejam procedimentos, produtos e até modelos mentais, atualmente todos apresentam uma transitoriedade claramente muito mais intensa do que antes.

Adicionado a isso, entra o Princípio de Peter que preconiza que as pessoas em qualquer organização hierárquica que funciona com base na meritocracia produz incompetentes. É isso ai.

Laurence J. Peter , dentro da Teoria Estruturalista, dizia que “Em um sistema hierárquico, todo funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência.”

Resumindo: Não espere das empresas um funcionamento coerente. Baixe tremendamente sua expectativa com relação aos retornos, assertividade, previsibilidade e coerência do mundo corporativo.

As corporações hoje funcionam de forma sub otimizada, se comparadas a eles mesmas ao longo dos anos. Não por conta das pessoas que estão lá, nem da incrível tecnologia que dispõem, mas pelo caráter transitório da atmosfera que respiram.

O mundo corporativo é onde eu habito, trânsito e me sinto à vontade. É minha paixão, namoro e casamento. Mas agora de forma mais realista, aprendi ao longo dos anos a não esperar nada muito sólido dessa relação.

O modelo da IBM é um nirvana. O ápice. Algo a alcançar. Ficou em minha mente como o paraíso corporativo, mesmo hoje sendo convicto que, em realidade, o único paraíso dessa história toda, está no bairro onde o prédio da IBM imponentemente está localizado.

Se você quiser vender para empresas, lembre-se, você está vendendo para pessoas.

E o único encantamento que você deve ter é pela real possibilidade de agregar um real valor para os objetivos dessas pessoas.

Stavros Frangoulidis
Stavros Frangoulidis
CEO da PaP Solutions ⚡ Vamos conectar também no Linkedin

Se você achou interessante, compartilhe :-)

Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Rolar para cima